DOBRAS VISUAIS

O raro, o óbvio e o inacreditável // um exercício político acerca do uso das imagens

Oficina

No manifesto ‘Em defesa da imagem ruim’, a artista Hito Steyerl aponta características das imagens que circulam nos meios digitais e endossa seu uso como um ato político em resposta a modelos de produção cultural do passado ainda em operação. Aborda as imagens de baixa qualidade, reproduzidas, editadas e compartilhadas em sistemas de circulação atuais.

Em um dado momento dispara: “imagens ruins são os destroços da produção audiovisual, o lixo que chega às praias das economias digitais. São testemunhas de deslocamentos violentos, transferências e distribuição de imagens – a aceleração e a circulação nos círculos viciosos do capitalismo audiovisual (…). Elas disseminam prazer ou ameaças de morte, teorias conspiratórias ou pirataria, resistência e bestificação. Imagens ruins mostram o raro, o óbvio e o inacreditável”.

A partir dessa leitura e em companhia de autores como Susan Sontag, John Berger e Boris Groys, essa oficina pretende construir com os participantes uma breve pesquisa visual ativada por esses adjetivos – o raro, o óbvio e o inacreditável. Usadas no contexto dessa proposição, tais palavras podem indicar uma qualidade ou uma condição para as imagens trabalhadas.

O grupo definirá quais arquivos, usos e tipos de imagem serão guia para essa associação que tem como objetivo provocar conversas acerca da produção imagética que experimentamos hoje. É desejável que a oficina consiga se conectar a história visual de cada participante.

Festival Valongo 2017