DOBRAS VISUAIS

A fotografia como uma bola de neve

Lívia Aquino: Como falam as fotografias, 2011.

A partir da modernidade fomos impelidos a compreender de formas distintas uma vida atravessada pela fotografia.

Ela já foi um documento, um índice de algo, um rastro, apenas uma aparência, quiçá uma construção.

Como uma bola de neve, a fotografia ganha camadas conforme desce freneticamente a montanha, perdendo um ou outro sentido pelo caminho, mas carregando um tanto de sua própria história nos arquivos infinitos.

Hoje vivemos sob a suspensão da poeira provocada por essa bola ao chegar na planície, quando as imagens se espalham e ganham significado tanto pelos fragmentos, como pela grande massa.

As fotografias suam, tocam, gritam e nos fazem perceber que o seu tempo é sempre um presente carregado de futuros e passados, de memórias e esquecimentos, de vidas e fantasmas.

Quando olhamos as fotos de família em uma caixa de sapatos ou as cenas turísticas no facebook dos amigos nos reconhecemos de alguma forma naqueles protocolos. Ultimamente ando a pensar sobre eles.

Talvez por causa disso venho colecionando imagens em palavras, como na série Como falam as fotografias e na seção O que é fotografia?.

Há uma ambivalência nessas fotografias, elas dizem sobre nós, mesmo que não estejamos lá ou que elas nem existam ainda.

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Texto publicado no Entretempos, blog sobre fotografia da Folha de S.Paulo. A seção De dentro #24 é um relato sobre uma imagem importante para cada um.