DOBRAS VISUAIS

Diana Dobranszky e a legitimação da fotografia no MoMA

Thurman Rotan: Skyscrapers, 1932.

A legitimação de uma obra de arte passa por inúmeros filtros além do estritamente estético. Julgamentos nas esferas social e política têm seu papel e as instituições culturais são um espaço onde esse jogo primordialmente acontece. No caso da fotografia, o MoMA exerceu um influência marcante. Minha pesquisa de doutorado teve por objetivo desvendar parte desse processo por meio da investigação sobre a criação do departamento de fotografia nesse museu. A escolha dessa instituição não foi apenas pelo fato da “História da Fotografia” de Beaumont Newhall ter sido primeiramente editada como o catálogo de uma exposição realizada no MoMA, mas também porque esse departamento foi o primeiro em museus ocidentais a conquistar uma posição semelhante aos departamentos destinados aos demais meios artísticos – não como um apêndice da área de registros da biblioteca, o que era corrente.

O período de pesquisa em Nova York, realizado com apoio da Capes, foi extremamente rico. As fontes naquela cidade são inúmeras e preparadas para a pesquisa. Os investimentos em preservação de documentos e imagens são grandes e o estímulo à pesquisa também. O MoMA possui, além da Biblioteca com fichas de artistas, clippings e press-releases, um Arquivo com a documentação de cartas trocadas por seus funcionários desde a criação do museu em 1929. Durante todo o ano de pesquisa meu tempo foi gasto quase que totalmente coletando dados e lendo sobre o museu no período estudado; escrever só viria depois da volta ao Brasil. A experiência de ter um orientador inserido em outro meio acadêmico foi muito estimulante e um contraponto interessando sobre as exigências e possibilidades de pesquisa que temos aqui no Brasil. Conhecer a cultura acadêmica de outro país certamente foi iluminadora.

Minha tese é um compêndio de nomes de obras e de exposições de fotografia realizadas entre 1929 e 1946 (período desde o nascimento do museu até a saída de Beaumont Newhall , primeiro curador do departamento, do museu) e a narração dos acontecimento e negociações por trás da criação e desenvolvimento desse incipiente departamento e seus personagens. Escrevo também sobre importância de certas figuras e fotógrafios envolvidos e apresentados no espaço do museu. Uma das maiores revelações de minha pesquisa foi a importância crucial da esposa de Newhall, Nancy Newhall nas atividades desse departamento e na defesa da fotografia como arte maior.

Para ler:

A legitimação da fotografia no museu de arte: o Museum of Modern Art de Nova York e os anos Newhall no Departamento de Fotografia

Tese de Doutorado em Multimeios.

Universidade Estadual de Campinas, 2008

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Diana de Abreu Dobranszky nasceu em Campinas, fez gradução em Comunicação Social (Puccamp) e mestrado e doutorado em Multimeios – Área de concentração: Fotografia e Arte (Unicamp). Vive em São Paulo  e trabalha na Fundação Bienal de São Paulo desde 2008.

Charles Sheeler: Industry, 1932.