DOBRAS VISUAIS

Eduardo Queiroga e os coletivos fotográficos

Cia de Foto: Carnaval, 2010.

Minha convivência com a fotografia já dura mais de 20 anos. Fiz isso – tenho feito – por muitos vieses diferentes. Já fui repórter fotográfico de jornal, tive agência e banco de imagens, estúdio, coordeno projetos socioculturais que se utilizam da imagem, ensino em graduação de Fotografia, tenho algumas exposições no currículo. Um contato que nunca se contentou com uma só especialidade ou caminho, mas que se deixa levar pela pluralidade dessa linguagem, experimentando novas conexões e instigações. Poderia ter trilhado caminhos mais longos se tivesse me mantido numa só direção, mas, cada vez mais, penso que a riqueza está também na viagem e não apenas no destino. Não é tanto o tão longe que me apraz, mas o que encontro na ida, com direito a algumas paradas, desvios, voltas.

Nesse percurso, um fenômeno que acompanhei foi o surgimento dos coletivos fotográficos. Algo envolto em discussões até hoje mal resolvidas. A temática dos coletivos, me parece, entrou em pauta muitas vezes através de debates permeados por muitas questões mal formuladas ou reducionistas. Há toda uma dificuldade de se observar algo que está acontecendo ao mesmo tempo em que estamos pesquisando, algo que muda, que não está consolidado, que não tem uma localização muito definida na história. Mas, ao mesmo tempo, me interessava tocar melhor esse assunto e investigar que questões ele colocava para a fotografia.

Hoje estou convencido de que, a despeito de algumas opiniões que o consideram uma jogada de marketing ou um nome novo para uma prática antiga, o coletivo é sim um modelo novo de agrupamento de fotógrafos. Sua atuação avança sobre questões importantes do fazer fotográfico. Quando digo atuação, penso em camadas sobrepostas que passam pela criação, pelas motivações de união, por links externos ao grupo.

A dissertação busca delimitar esse modelo, defendendo que é algo que surge nos anos 2000. Lança mão de conceitos que passam por rizoma, criação em rede, inteligência coletiva, cultura de convergência, fotograficidade, entre outros, para observar as características dos coletivos e traz o entendimento de que eles são um dos transbordamentos possíveis a partir de pressões sofridas pela fotografia – e pela sociedade como um todo. Também foi feito o estudo de caso e análise de obras de dois coletivos: o espanhol Pandora e o brasileiro Cia de Foto. A pesquisa busca contribuir com novos subsídios para a discussão sobre os coletivos, mantendo a noção de que são passos apenas iniciais nessa exploração.

Para ler:

Coletivo fotográfico contemporâneo e prática colaborativa na pós-fotografia

Dissertação de Mestrado em Comunicação.

Universidade Federal de Pernambuco, 2012.

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Eduardo Queiroga é Mestre em Comunicação pela PPGCOM-UFPE. É fotógrafo, educador do Projeto Fotolibras e coordenador do Bacharelado em Fotografia da AESO em Recife-PE.

No Dobras:

Queiroga no Desempacotando minha biblioteca.

Pandora: E-Waste.