DOBRAS VISUAIS

Impressões do Paraty em Foco

Muita gente, amigos, ex-alunos, novos amigos, trabalhos interessantes por todos os lados. Quatro dias agitados no Paraty em Foco.

Para mim, algumas apresentações foram muito especiais, por vezes pelo trabalho, outras pelo personagem. Em um evento como este, entramos em contato com uma diversidade  que mobiliza diferentes questões sobre a imagem. É disso que trato aqui.

Alexandre Sequeira

Fiquei emocionada com o relato do Alexandre Sequeira. O trabalho dos moradores de Nazaré do Mocajuba eu já tinha visto no Itaú Cultural, mas Meu mundo teu eu não conhecia. Um encontro fotográfico entre dois jovens com diferentes realidades, algo que nos faz pensar em inúmeras leituras para a fotografia, pelo relato do conhecido e do desconhecido, pelo mapeamento de universos tão distintos, por considerar sempre o olhar do outro. Uma rede de afetos como nos disse o próprio autor.

Alessandra Sanguinetti

Seguindo nesta linha dos “contadores de histórias”, Alessandra Sanguinetti surpreendeu com seu relato sobre a experiência de fotografar as meninas do ensaio The Adventures of Guille and Belinda and the Enigmatic Meaning of their Dreams. Particularmente achei interessante refletir sobre algo que é muito simples, fotografar o cotidiano de duas pessoas cuja vida não tem nenhum glamour, mas onde há lugar para a fantasia. Não à toa, Sanguinetti nos contou que Nan Goldin é uma grande referência para ela, mesmo que com um universo tão distinto.

O trabalho de Rodrigo Braga é também muito tocante. Ele nos disse que por vezes não sabe se está na fotografia ou na performance, o que nos dá indícios da importância da construção e da ação que move a produção.

Rodrigo Braga

Pensando ainda na experiência, a apresentação do Arthur Omar foi um evento, porque ele é um personagem e tanto. Foi bacana vê-lo traçar suas elocubrações acerca do fotográfico, estabelecendo paralelos entre a Face Gloriosa e os retratos feitos recentemente no Afeganistão. O vídeo ficou aquém dele próprio, mas isso não é um problema, simplesmente gostei vê-lo falar, pela cadência dos pensamentos, por misturar inúmeras referências e por nos mostrar como pensa a fotografia.

Bem, ainda teve a Rosangela Rennó. Trata das mesmas questões, mas cada vez nos mostra um modo onde a fotografia opera, um lugar onde nos deparamos com a memória e o esquecimento no fotográfico. O trabalho Experiência de cinema é impressionante, nada mais efêmero do que uma imagem refletida na fumaça. Acho sempre instigante o que ela propõe.

A intensidade de ver muitas coisas juntas é provocativo de novos trabalhos, novas questões e vontades. Vamos ver no que dá.