DOBRAS VISUAIS

Objetos biográficos

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Andre Penteado: Dad´clothes, 2009.

«Todos os pais foram filhos, muitos filhos vêm a ser pais, mas uns esqueceram-se daquilo que foram, e aos outros não há ninguém que possa explicar-lhes o que serão. Aquele homem grande, de cabelos brancos e rosto castigado, seu pai, era também como um filho, saberá pouco da vida quem isto se recuse a entender, as teias que enredam as relações humanas, em geral, as de parentesco, em particular, sobretudo as próximas, são mais complexas do que parecem a primeira vista, dizemos pais, dizemos filhos, cremos que sabemos perfeitamente de que estamos a falar, e não nos interrogamos sobre as causas profundas do afeto que ali há.» José Saramago, A caverna.

A citação de Saramago é um momento muito especial deste livro que conta a história da relação entre uma filha e seu pai, dentro de um contexto de grandes mudanças sociais para eles. Para mim é uma escrita muito imagética.

Recentemente reencontrei Andre Penteado, um amigo antigo. As imagens deste post são dos três ensaios que fez sobre seu pai: Dad´clothes, Dad´s hangers e The year dad died (no site entre em Projects). Após a morte do pai, André fotografa-se com suas roupas que podemos pensar como objetos biográficos.

Para Violet Morin os objetos biográficos são artefatos que envelhecem conosco, incorporados à vida – quase como um retrato do dono. Nesse caso, um retrato no qual André mescla histórias de pai e filho em imagens.

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Andre Penteado: Dad´s hangers, 2009.