DOBRAS VISUAIS

Poeira da terra e do tempo daquele lugar | 2008

Reúnem-se aqui imagens realizadas em uma vila de pescadores na Ilha de Boipeba. Elas buscam evidenciar a trama sugerida pelo próprio cenário; o homem é como uma paisagem que assume suas características na forma, na textura, no tom. Os conjuntos visuais insinuam uma homocromia, o mimetismo pela cor. Um processo de adaptação semelhante ao dos animais que se fundem com o meio ficando invisíveis aos predadores ou presas.

Na ilha, a transição entre o ambiente marinho e terrestre é marcante, tanto para a paisagem, quanto para o próprio homem submerso na lama do mangue e na areia. Artefatos como o nó da corda, a vela do barco, o trançado da cesta e a carcaça do navio também significam essa passagem.

O mar e o mangue contornam esse lugar e indicam o ciclo de vida que ali se impõe, a maré vazante leva as folhas do manguezal que são trazidas de volta para toda a costa da ilha na preamar. Os restos orgânicos, a areia, os ossos e a água são elementos simbólicos das transformações do tempo.

[Série com 15 imagens]